Catullo da Paixão Cearense
No dia 8 de outubro de 1863, em São Luís, Estado do Maranhão, nascia Catullo da Paixão Cearense. Os seus pais eram Maria Celestina Braga da Paixão e Amâncio José da Paixão Cearense, um ourives. Catullo tinha mais dois irmãos: Gil e Gerson. Quando ele tinha dez anos, os seus familiares se mudaram para o sertão do Ceará e, sete anos depois (em 1880), eles foram morar na rua São Clemente, número 37, em Botafogo, no Estado do Rio de Janeiro.Catullo estudou no Colégio Teles de Meneses onde, entre outras disciplinas, aprendeu profundamente a língua francesa. Chegou a traduzir para o português as obras de diversos poetas de renome internacional e, em 1885, foi residir na casa do senador do Império Silveira Martins, para poder ensinar português aos filhos desse político.
Estudioso que era, o jovem Catullo também fundou um colégio no bairro da Piedade, Estado do Rio, passando a lecionar diversas línguas.
Pelo fato de possuir muita força física, o rapaz conseguiu um trabalho como estivador no cais do porto do Rio. Nas horas vagas, Catullo estudava música e chegou a tocar dois instrumentos: flauta de cinco chaves e violão.
Durante as noites, freqüentava repúblicas de estudantes, tendo como companheiros de boemia e de chorinhos o compositor Calado, o flautista Viriato, o regente e compositor Anacleto de Medeiros, além de Albano, Quincas Laranjeira e o cantor Cadete.
Catullo começou juntando as letras de uma série de músicas e canções e publicando-as através da Livraria do Povo. Posteriormente, passou a publicar, também, os seus trabalhos, a exemplo de O cantor fluminense, Lira dos salões, Novos cantares, Lira brasileira, Canções da madrugada, Trovas e canções e Choros ao violão. Ele era conhecido como "vate sertanejo".
As principais músicas compostas por Catullo foram as seguintes:
Flor amorosa (em parceria com Antônio Callado - 1880)
Luar do sertão (com João Pernambuco - 1914)
Ontem ao luar (com Pedro Alcântara, em 1907, e letra em 1913)
Por um beijo (com Anacleto de Medeiros -1906)
Rasga o coração (com Anacleto de Medeiros -1887)
Talento e formosura (com Edmundo Octávio Ferreira -1904)
Catullo escreveu 15 livros de poesias, dentre os quais se encontram: Meu sertão (em 1918), Sertão em flor (em 1919), Poemas bravios (em 1921), Mata iluminada e Aos pescadores (em 1923), Meu Brasil, Um boêmio no céu e Alma do sertão (em 1928), e Poemas escolhidos (em 1944).
Como o poeta também era músico, ele costumava adaptar as suas poesias às canções de compositores famosos como Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, João Pernambuco, Pedro Alcântara, Antônio Callado, e nas vozes de Cadete, Vicente Celestino, Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, entre outros. Neste sentido, os seus trabalhos conseguiam ser divulgados e ele adquiria bastante popularidade e fama.
No dia 10 de maio de 1946, aos 83 anos de idade, o célebre poeta popular, violinista, compositor, teatrólogo e cantor Catullo da Paixão Cearense veio falecer no Rio de Janeiro. O ilustre nordestino, contudo, já tinha se tornado em vida um imortal.
| Assis Chateaubriand |
Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu em Umbuzeiro, Paraíba, no dia 4 de outubro de 1892, filho do bacharel em Direito, José Chateaubriand Bandeira de Melo e Carmem Chateaubriand Bandeira de Melo.
É interessante esclarecer que Chateaubriand é prenome e não sobrenome de família. Seu avô paterno, Francisco Aprígio de Vasconcelos Brandão, entusiasmado com as obras do escritor francês François Chateaubriand, registrou os filhos com o prenome Chateaubriand.
Assis Chateaubriand teve uma infância difícil, marcada por privações e problemas psicológicos devido a uma gagueira incontrolável e uma grande timidez. Foi uma criança magra, gaga e feia, sem a vitalidade dos outros três irmãos Ganot, Jorge e Osvaldo.
Seu pai foi morar em Belém do Pará, deixando-o aos cuidados do avô materno, Urbano Gondim, que morava em Timbaúba, Pernambuco, onde tinha propriedades. A experiência foi positiva. Chateaubriand melhorou da gagueira e tornou-se menos tímido.
Aos nove anos, voltou a morar com a família que havia retornado ao Recife, mas ainda não sabia ler. Foi alfabetizado por um tio e dois amigos do seu pai, Antônio Feliciano Guedes Gondim, Manoel Távora Cavalcanti e Álvaro Rodrigues Santos, quando já tinha dez anos de idade. Antigos exemplares do jornal Diario de Pernambuco serviram-lhe de cartilha.
No final de 1903, morou um tempo com seu tio e padrinho Chateaubriand Bandeira de Melo, em Campina Grande, Paraíba, onde foi submetido a um programa intensivo de estudos para recuperar o tempo perdido.
Em novembro de 1904, retornou ao Recife e prestou exame no curso de admissão da Escola Naval. Fez o curso secundário no Ginásio Pernambucano e começou a estudar alemão com os frades do convento de São Francisco, tornando-se um leitor compulsivo.
Seu primeiro trabalho foi na Gazeta do Norte recortando classificados.
Em 1908, ingressou na Faculdade de Direito do Recife indo trabalhar na época como aprendiz de repórter no jornal A Pátria. Trabalhou também no Jornal do Recife, no Diario de Pernambuco e no Jornal Pequeno, no qual publicou a maior parte de suas reportagens no Recife.
Em 1913, aos 21 anos, bacharelou-se em Direito. Ao formar-se já era editor e redator-chefe do Diario de Pernambuco, que na época pertencia ao conselheiro Rosa e Silva e tinha como diretor Arthur Orlando.
Em 1915, tentando buscar novos horizontes, foi para o Rio de Janeiro, então a capital do Brasil. Naquela cidade fez muitas amizades, inclusive com pessoas influentes. Colaborou nos jornais A Época, Jornal do Commercio, Correio da Manhã, do Rio de Janeiro e também na edição vespertina d`O Estado de São Paulo.
Seu sonho era “adquirir um jornal, como primeiro elo de uma cadeia”.Para conseguir o dinheiro, instalou uma banca de advocacia e com seu bom relacionamento com pessoas importantes, conseguiu vários clientes e ações.
Foi consultor para leis de guerra no Ministério das Relações Exteriores, no governo Nilo Peçanha, mas deixou o cargo para ser redator-chefe do Jornal do Brasil.
Em 1919, depois de deixar o Jornal do Brasil foi convidado para ser correspondente internacional na Europa, trabalhando para o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Viajou pela Suíça, Inglaterra, França, Holanda, Itália e Alemanha, obtendo sucesso jornalístico e pessoal.
Em setembro de 1924, adquiriu O Jornal, do Rio de Janeiro, dando início à cadeia nacional de jornal, rádio e televisão dos Diários Associados, que iria revolucionar o jornalismo brasileiro, inovando a imprensa, modernizando equipes, processos e veículos.
Chatô, como alguns o chamavam, tornou-se uma personalidade conhecida no Brasil e no exterior, respeitado e temido pelos poderosos. Participou de todas as grandes campanhas de opinião de seu tempo.
Em 1934, incorporou a sua cadeia o Diario de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação na América Latina, onde havia iniciado sua carreira de jornalista.
Além dos Diários Associados chegou a possuir dez fazendas agropecuárias e laboratórios farmacêuticos.
Além de empresário de sucesso, foi um incentivador da cultura e da arte brasileiras. Criou o Museu de Arte de São Paulo, o MASP e ocupou a cadeira nº 37, da Academia Brasileira de Letras.
No campo da política, elegeu-se senador pela Paraíba em 1951 e pelo Maranhão em 1955.
Em 1960, sofreu um derrame cerebral ficando totalmente paralítico. Mesmo nessa situação viajou muito dentro e fora do País, mantendo-se informado de tudo, dirigindo suas empresas e jornais.
Assis Chateaubriand morreu em São Paulo, no dia 6 de abril de 1968.