terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mais um pouco sobre a história do museu

Idealizado como síntese do Nordeste do Brasil e integrado ao Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco, o Museu do Homem do Nordeste, desde a sua origem, em 1979, vem se constituindo num centro de referência cultural da região.
Além de visitantes e turistas, recebe estudantes e pesquisadores do Brasil e do exterior, promovendo mostras artísticas, exposições temporárias, orientação pedagógica, serviços de consultoria e cursos especializados.


Com uma exposição permanente de 3.500 peças, o Museu do Homem do Nordeste é uma viagem por um roteiro histórico que une o passado ao presente.
Nesta viagem no tempo, a bordo de uma visão antropológica, o visitante vai conhecendo a riqueza cultural de uma sociedade que, com suas contradições e seus contrastes, criou valores extremamente valiosos para a cultura brasileira.
O primeiro estágio/estação do MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE destaca os mais antigos habitantes da regiao -os Índios -, cuja cultura é apresentada por um duplo ponto de vista: o arqueológico e o antropológico.

Em seguida, na próxima estação, o visitante encontra os principais aspectos da vida colonial nordestina. 0 mundo luso-afro-brasileiro, tão marcado pelo binômio casa-grande e senzala, divide espaço com Brasil Holandês, de cuja importancia nos dão testemunhos o governo de Maurício de Nassau e o pioneirismo do Recife como centro de ciência e cultura das Américas. Aos olhos do visitante vão surgindo paisagens criadas por uma colonização fundada na escravidão e na monocultura da cana-de-açúcar...
Todo um acervo de raízes e valores que marcaram para sempre as origens de nossa nacionalidade.

A exposição Oh de Casa! é a terceira etapa da viagem e, através dela, o visitante fica conhecendo a intimidade doméstica nordestina, podendo apreciar as formas mais típicas e criativas da arquitetura regional.

Destaques do Mês de Novembro no Museu do Homem do Nordeste

Aloísio Magalhães

Aloísio Magalhães
Dados pessoais
·         Brasileiro.
·         Nascido no dia 5 de novembro de 1927, em Pernambuco.
·         Vem a falecer em 13 de junho de 1982, na Itália.

Formação
·         Direito, Faculdade de Direito da Universidade do Recife.



Atividades didáticas
·         Professor de Cenografia do Curso de Teatro da Escola de Belas Artes, da Universidade do Recife.
·         Professor da Escola Superior de Desenho Industrial.
·         Professor convidado do Philadelphia Museum School of Art.
·         Conferências na Yale University e no Pratt Institute, Nova York.
·         Seminário na Technische Hochschule da Universidade de Stuttgart.


Trabalhos publicados
·         Aniki Babó. Recife: Ed. 0 Gráfico Amador, 1958. Trabalho gráfico 'ilustrado' por textos de João Cabral de Mello Neto.
·         Doorway to Portuguese, em colaboração com Eugene Feldman. Philadelphia: The Falcon Press, 1957.
·         Doorway to Brasília em colaboração com Eugene Feldman. Philadelphia: The Falcon Press, 1959.
·         1/8/16 A informação esquartejada. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1971.
Trabalhos realizados
·         Banco Central do Brasil - Padrão Monetário Brasileiro, 1967.
·         Criação, desenvolvimento e gravação dos originais para produção das cédulas em Milão e Londres.
·         Desenho e assessoria à produção das moedas de ouro, prata e níquel, comemorativas do Sesquicentenário da Independência.
·         Desenho e assessoria à produção da moeda comemorativa dos 10 anos do Banco Central do Brasil.
·         Coordenador do grupo de trabalho Banco Central/Casa da Moeda, para elaboração do novo padrão monetário, 1967.

Exposições coletivas
·         II Bienal Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1953.
·         Salão Anual de Pernambuco, Recife, 1954.
·         Salão Anual da Bahia, Salvador, 1955.
·         III Bienal Museu de Arte Moderna de São Paulo, 1955.
·         Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, 1955.
·         150 Anos de Paisagem Brasileira, São Paulo, 1956.
·         Museum of Modern Art (Recent acquisitions of the collection), Nova York, 1958.
·         V Bienal Internacional de Litografia Contemporânea em Cor - The Cincinnati Art Museum, Cincinnati, 1958.
·         XXX Bienal de Veneza, 1960.


Martin Júnior


         José Izidoro de Martins Júnior nasceu no Recife, Pernambuco, no dia 24 de novembro de 1860, filho de José Isidoro Martins e de Francisca Emilia de Oliveira Martins.

Obteve o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito do Recife, em 1883. Foi jornalista, advogado, jurista, político, professor e poeta.

Fez concurso para professor da Faculdade de Direito, mas não pôde ser nomeado porque, sendo republicano, recusava-se a prestar juramento de fidelidade à monarquia. Só conseguiu o seu intento depois de proclamada a República, quando se tornou professor, exercendo também a diretoria da tradicional casa de ensino.
   Era considerado um republicano histórico. Defendeu o regime republicano numa época em que os políticos expressivos eram todos monarquistas que se filiavam a um dos dois grandes partidos: o Liberal e o Conservador. Daí as restrições que Martins Júnior sofreu durante muitos anos.

Participou do Centro Republicano e colaborou junto com Adelino Filho, Pardal Mallet e Artur Orlando na Revista do Norte e na Folha do Norte, publicadas nos anos de 1883 e 1884. Foi também colaborador de vários outros jornais e revistas recifenses como A América Illustrada; A Província; Correio da Noite, o primeiro diário noturno da cidade, do qual foi redator e também colaborador, sob o pseudônimo de Junio; A Opinião; Jornal da Tarde; Revista das Artes; Jornal do Recife, entre outros.

Defendeu, através do Jornal do Recife, a candidatura de Joaquim Nabuco para deputado por Pernambuco, pregando a abolição imediata da escravidão.

Como abolicionista e republicano, José Izidoro de Martins Júnior fundou, em 1888, o diretório republicano, que se destinava a incrementar as idéias da abolição e da república, criando para esse fim o jornal O Norte.

Foi um dos fundadores e depois patrono da Academia Pernambucana de Letras.

No início do século XX, transferiu-se para o Rio de Janeiro devido à pressões políticas, atuando como advogado e, por algum tempo, como Secretário do Governo do Estado, na presidência de Quintino Bocaiúva, seu companheiro de campanhas republicanas.

Foi eleito, em 1902, para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 13.

Escreveu, entre ouras obras: Vigílias literárias (versos, 1879) e O escalpelo: estudo crítico de política, letras e costumes, ambos em colaboração com Clóvis Beviláqua (1881); A poesia scientifica (1883); Retalhos, poesias (1884); Estilhaços, poesia (1885); Fragmentos juridico-philosophicos (1891); Tela polychroma (poesias, 1893); História do Direito nacional (1895); Compêndio da história geral do Direito (1898).

Martins Júnior faleceu no dia 22 de agosto de 1904, no Rio de Janeiro. Seu corpo foi trasladado para o Recife, sendo enterrado no Cemitério de Santo Amaro. Seu cortejo fúnebre foi acompanhado por um grande número de pessoas, como uma última homenagem ao grande pernambucano.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Destaques do Mês de Outubro no Museu do Homem do Nordeste


Catullo da Paixão Cearense

No dia 8 de outubro de 1863, em São Luís, Estado do Maranhão, nascia Catullo da Paixão Cearense. Os seus pais eram Maria Celestina Braga da Paixão e Amâncio José da Paixão Cearense, um ourives. Catullo tinha mais dois irmãos: Gil e Gerson. Quando ele tinha dez anos, os seus familiares se mudaram para o sertão do Ceará e, sete anos depois (em 1880), eles foram morar na rua São Clemente, número 37, em Botafogo, no Estado do Rio de Janeiro.Catullo estudou no Colégio Teles de Meneses onde, entre outras disciplinas, aprendeu profundamente a língua francesa. Chegou a traduzir para o português as obras de diversos poetas de renome internacional e, em 1885, foi residir na casa do senador do Império Silveira Martins, para poder ensinar português aos filhos desse político.

Estudioso que era, o jovem Catullo também fundou um colégio no bairro da Piedade, Estado do Rio, passando a lecionar diversas línguas.

Pelo fato de possuir muita força física, o rapaz conseguiu um trabalho como estivador no cais do porto do Rio. Nas horas vagas, Catullo estudava música e chegou a tocar dois instrumentos: flauta de cinco chaves e violão.

Durante as noites, freqüentava repúblicas de estudantes, tendo como companheiros de boemia e de chorinhos o compositor Calado, o flautista Viriato, o regente e compositor Anacleto de Medeiros, além de Albano, Quincas Laranjeira e o cantor Cadete.

Catullo começou juntando as letras de uma série de músicas e canções e publicando-as através da Livraria do Povo. Posteriormente, passou a publicar, também, os seus trabalhos, a exemplo de O cantor fluminense, Lira dos salões, Novos cantares, Lira brasileira, Canções da madrugada, Trovas e canções e Choros ao violão. Ele era conhecido como "vate sertanejo".

As principais músicas compostas por Catullo foram as seguintes:

Flor amorosa (em parceria com Antônio Callado - 1880)
Luar do sertão (com João Pernambuco - 1914)
Ontem ao luar (com Pedro Alcântara, em 1907, e letra em 1913)
Por um beijo (com Anacleto de Medeiros -1906)
Rasga o coração (com Anacleto de Medeiros -1887)
Talento e formosura (com Edmundo Octávio Ferreira -1904)

Catullo escreveu 15 livros de poesias, dentre os quais se encontram: Meu sertão (em 1918), Sertão em flor (em 1919), Poemas bravios (em 1921), Mata iluminada e Aos pescadores (em 1923), Meu BrasilUm boêmio no céu e Alma do sertão (em 1928), e Poemas escolhidos (em 1944).

Como o poeta também era músico, ele costumava adaptar as suas poesias às canções de compositores famosos como Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, João Pernambuco, Pedro Alcântara, Antônio Callado, e nas vozes de Cadete, Vicente Celestino, Mário Pinheiro, Eduardo das Neves, entre outros. Neste sentido, os seus trabalhos conseguiam ser divulgados e ele adquiria bastante popularidade e fama.

No dia 10 de maio de 1946, aos 83 anos de idade, o célebre poeta popular, violinista, compositor, teatrólogo e cantor Catullo da Paixão Cearense veio falecer no Rio de Janeiro. O ilustre nordestino, contudo, já tinha se tornado em vida um imortal.


Assis Chateaubriand



Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu em Umbuzeiro, Paraíba, no dia 4 de outubro de 1892, filho do bacharel em Direito, José Chateaubriand Bandeira de Melo e Carmem Chateaubriand Bandeira de Melo.

É interessante esclarecer que Chateaubriand é prenome e não sobrenome de família. Seu avô paterno, Francisco Aprígio de Vasconcelos Brandão, entusiasmado com as obras do escritor francês François Chateaubriand, registrou os filhos com o prenome Chateaubriand.

Assis Chateaubriand teve uma infância difícil, marcada por privações e problemas psicológicos devido a uma gagueira incontrolável e uma grande timidez. Foi uma criança magra, gaga e feia, sem a vitalidade dos outros três irmãos Ganot, Jorge e Osvaldo.

Seu pai foi morar em Belém do Pará, deixando-o aos cuidados do avô materno, Urbano Gondim, que morava em Timbaúba, Pernambuco, onde tinha propriedades. A experiência foi positiva. Chateaubriand melhorou da gagueira e tornou-se menos tímido.

Aos nove anos, voltou a morar com a família que havia retornado ao Recife, mas ainda não sabia ler. Foi alfabetizado por um tio e dois amigos do seu pai, Antônio Feliciano Guedes Gondim, Manoel Távora Cavalcanti e Álvaro Rodrigues Santos, quando já tinha dez anos de idade. Antigos exemplares do jornal Diario de Pernambuco serviram-lhe de cartilha.

No final de 1903, morou um tempo com seu tio e padrinho Chateaubriand Bandeira de Melo, em Campina Grande, Paraíba, onde foi submetido a um programa intensivo de estudos para recuperar o tempo perdido.

Em novembro de 1904, retornou ao Recife e prestou exame no curso de admissão da Escola Naval. Fez o curso secundário no Ginásio Pernambucano e começou a estudar alemão com os frades do convento de São Francisco, tornando-se um leitor compulsivo.

Seu primeiro trabalho foi na Gazeta do Norte recortando classificados.

Em 1908, ingressou na Faculdade de Direito do Recife indo trabalhar na época como aprendiz de repórter no jornal A Pátria. Trabalhou também no Jornal do Recife, no Diario de Pernambuco e no Jornal Pequeno, no qual publicou a maior parte de suas reportagens no Recife.

Em 1913, aos 21 anos, bacharelou-se em Direito. Ao formar-se já era editor e redator-chefe do Diario de Pernambuco, que na época  pertencia ao conselheiro Rosa e Silva e tinha como diretor Arthur Orlando.

Em 1915, tentando buscar novos horizontes, foi para o Rio de Janeiro, então a capital do Brasil. Naquela cidade fez muitas amizades, inclusive com pessoas influentes. Colaborou nos jornais A Época, Jornal do Commercio, Correio da Manhã, do Rio de Janeiro e também na edição vespertina d`O Estado de São Paulo.

Seu sonho era “adquirir um jornal, como primeiro elo de uma cadeia”.Para conseguir o dinheiro, instalou uma banca de advocacia e com seu bom relacionamento com pessoas importantes, conseguiu vários clientes e ações.
Foi consultor para leis de guerra no Ministério das Relações Exteriores, no governo Nilo Peçanha, mas deixou o cargo para ser redator-chefe do Jornal do Brasil.

Em 1919, depois de deixar o Jornal do Brasil foi convidado para ser correspondente internacional na Europa, trabalhando para o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Viajou pela Suíça, Inglaterra, França, Holanda, Itália e Alemanha, obtendo sucesso jornalístico e pessoal.

Em setembro de 1924, adquiriu O Jornal, do Rio de Janeiro, dando início à cadeia nacional de jornal, rádio e televisão dos Diários Associados, que iria revolucionar o jornalismo brasileiro, inovando a imprensa, modernizando equipes, processos e veículos. 
Chatô, como alguns o chamavam, tornou-se uma personalidade conhecida no Brasil e no exterior, respeitado e temido pelos poderosos. Participou de todas as grandes campanhas de opinião de seu tempo.

Em 1934, incorporou a sua cadeia o Diario de Pernambuco, o jornal mais antigo em circulação na América Latina, onde havia iniciado sua carreira de jornalista.
Além dos Diários Associados chegou a possuir dez fazendas agropecuárias e laboratórios farmacêuticos.
Além de empresário de sucesso, foi um incentivador da cultura e da arte brasileiras. Criou o Museu de Arte de São Paulo, o MASP e ocupou a cadeira nº 37, da Academia Brasileira de Letras.

No campo da política, elegeu-se senador pela Paraíba em 1951 e pelo Maranhão em 1955.


Em 1960, sofreu um derrame cerebral ficando totalmente paralítico. Mesmo nessa situação viajou muito dentro e fora do País, mantendo-se informado de tudo, dirigindo suas empresas e jornais.
Assis Chateaubriand morreu em São Paulo, no dia 6 de abril de 1968.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Historia do museu do Homem no Nordeste



O Museu do Homem do Nordeste é um museu brasileiro localizado na cidade de Recife. Fundado em 1979, foi criado a partir dos acervos do antigo Museu do Açúcar, do Museu de Antropologia e do Museu de Arte Popular. Fazendo parte do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco, sua concepção museológica e museográfica foi inspirada no conceito de museu regional, idealizado pelo sociólogo-antropólogo Gilberto Freyre.